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As pessoas normalmente contrapõem liberais e esquerda. Acho esquisita essa contraposição. Acho que faz mais sentido comparar liberais e estatistas — o grupo que acredita na mão invisível do mercado e o grupo que acredita na mão vísivel do governo. Na minha opinião, os radicais de ambos os lados são uns covardes.

Os estatistas são covardes. Eles têm medo de deixar a economia solta, de deixar as pessoas perseguir seus interesses. Os interesses individuais são suspeitos. Por exemplo, salários. Estatistas têm medo de deixar os salários serem determinados pelo mercado. Quem é que sabe onde os salários vão parar? Provavelmente, os donos das empresas vão extrair cada centavo dos trabalhadores, e os salários irão a míngua. Todos passarão fome. O Estado deve intervir, então, e instituir um salário mínimo.

Os liberais são uns covardes também. Eles têm medo de deixar a economia na mão de alguns poucos burocratas que eventualmente vão fazer bobagem, para proveito próprio ou por burrice mesmo. O governo é suspeito, de antemão e políticos são incompetentes que têm o dom da oratória. Por exemplo, empresas em mãos do governo. Quando um novo governo toma o poder, troca toda a direção da empresa, atrapalhando toda a administração estratégica da dita cuja. Políticos em cargos de direção acabam por querer favorecer as suas campanhas, os seus compadres, e a simplesmente administrar as coisas de maneira incompetente. Melhor privatizar as empresas e deixar que a competição e a iniciativa privada criem o máximo de riqueza com a empresa.

Eu, por mim, acho que as pessoas deveriam ser mais corajosas. Acreditar que o Estado tem a sua função a cumprir e que o mercado é quase sempre a melhor maneira de tocar a economia.

Taken together, the FT’s interviews in Brasília last week with Guido Mantega, finance minister, and Roberto Mangabeira Unger, extraordinary minister for strategic planning (click here for Brazil SWF to counter rising currency and here for Brazil banks on state for growth), give the impression of a government longing to change direction but knowing that to do so would be a mistake.

Nevertheless, the impression that this is what it would really like to do is becoming hard to ignore. The proposed sovereign wealth fund appears to have the dual objectives of taking a significant policy tool away from the orthodox monetarists at the central bank and of providing a roundabout way to pump taxpayers’ money into public-sector companies like Petrobras. While it remains probable that the government will keep such impulses under control, it is also hard to imagine that orthodox overhauls of such obstacles to growth as the pensions, tax and labour regimes will find their way to the top of the policy agenda any time soon.

Financial Times, Latin American Agenda, o grifo é meu.

A primeira vez que li a respeito pensei: “Ihhhh, lá vão fazer merda”.

Mas o mais perigoso e complicado, na minha opinião, é essa coisa que eu grifei. Os subterfúgios para implantar políticas públicas — ao invés de debater a idéia, ou pelo menos assumí-la claramente, as coisas vão sendo feitas por baixo do pano. Complicado.

Vou pesquisar mais sobre o assunto.

Governments are not totally stupid. They guarantee banks because the latter provide a social utility: a safe haven for money, and a payment system. But governments also realise that they are providing incentives for banks to economise on capital and take on risk. So governments impose capital-adequacy ratios, rules on risk management and (if they are sensible) liquidity requirements, as well. Unfortunately, these institutions are not only complex, but are staffed by single-minded and talented people. They go round regulations, just as water flows round an obstruction.

Este é o artigo do Martin Wolf no Financial Times de hoje. Separei este recorte por um motivo: Gosto do tom do artigo e do jeito que ele vê as pessoas — neste caso, os banqueiros. Eles contornam os regulamentos, não porque são imorais e ladrões em potencial, roubando o dinheiro do povo ou algo assim. Eles contornam os regulamentos porque são o que são, pessoas com interesses próprios. Os governos estão aí, a cada momento, tentando trazer os incentivos corretos ao setor para direcioná-lo para as boas práticas.

Esse jeito de ver o mundo me lembra dos princípios do livro de microeconomia do Mankiw:

Because people make decisions by comparing costs and benefits, their behavior may change when the costs or benefits change. That is, people respond to incentives. When the price of an apple rises, for instance, people decide to eat more pears and fewer apples, because the cost of buying an apple is higher. At the same time, apple orchards decide to hire more workers and harvest more apples, because the benefit of selling an apple is also higher. (…)

Public policymakers should never forget about incentives, for many policies change the costs or benefits that people face and, therefore, alter behavior. A tax on gasoline, for instance, encourages people to drive smaller, more fuel-efficient cars. It also encourages people to take public transportation rather than drive and to live closer to where they work. If the tax were large enough, people would start driving electric cars.

É isso. Nada de polêmica sobre as razões de cada pessoa. Acho que é uma visão que incentiva as pessoas a pensar e resolver problemas, ao invés de só apontar dedos e falar grosserias.