Ter uma resolução para 2010. Importantíssimo.
Ter uma resolução para 2010. Importantíssimo.
Em algum momento dos últimos dois anos, eu ponderei sobre o porquê da existência deste blog. Hoje pondero de novo.
Recapitulo.
Este blog começou em novembro de 2001. Faz pouco mais de oito anos. Eu tinha 21 anos. Era o fim do meu primeiro ano dos meus twenty-years. Naquela época áurea eu tinha milhares de dúvidas juvenis. Falei de namoradas e ex-namoradas, de casos e dúvidas sobre a vida, de planos para o futuro, de ideias e possibilidades. Havia muitas dúvidas para falar a respeito. Eu era uma pessoa em formação. Algumas pessoas achavam isso interessante, e o blog progrediu.
Quando ponderei sobre o blog, ano passado ou neste, lembrei do quanto eu tinha mudado nos últimos anos. E que assim quase não havia casos e dúvidas, nem planos para o futuro. Não havia muito sobre o que contar. Eu não era mais uma pessoa em formação. Era uma pessoa pronta. Acabaram os assuntos, e o blog apagou-se.
Hoje pondero de novo, e lembro de 2009. Agora tenho 29 anos, ano que vem terei 30. E chego a astonishing conclusion de que pessoa pronta my ass. Ando confuso ultimamente. Há muito o que pensar sobre mim, e não só porque o ano de 2009 foi um fracasso absoluto em termos de crescimento pessoal (embora um relativo sucesso em termos profissionais e financeiros, o que fala um pouco do desencontro das coisas).
Há muito o que ponderar.
Há muitos anos atrás, acho que em um sábado de madrugada, este vídeo me impressionou. A internet me permite revê-lo:
A Ione que me desculpe, mas anda difícil pra ****** conseguir escrever com frequência. É engraçado, faz falta ter um pouco de tempo livre, não só livre, mas livre e desimpedido — tempo branco (se é que existe essa expressão).
Tempo branco é um tempo ocioso, sem compromissos. Mas sem compromissos mesmo: sem ter que viajar, sem ter que ir jogar futebol com os amigos. O tempo branco é espontaneo, corre livre.
E apesar de livre, não quer dizer que no tempo branco você se aliena do mundo. Pelo contrário. No tempo branco a mente se conecta com as coisas que realmente importam — é quando eu tenho minhas melhores ideias.
E o tempo branco precisa de tempo para se manifestar. Depois de um dia de trabalho, você chega em casa. Liga a tevê, começa a não fazer nada. Cansa da tevê, vai comprar alguma coisa na livraria. Eis que aí liga o modo tempo branco — e você realmente começa a descansar.
E a escrever no blog.
E agora, como parte das minhas atribuições diárias, eu tenho também que escrever no blog. Mesmo quando às 10 da noite estou trabalhando. Meio puto, para falar a verdade. Não por trabalhar às 10 da noite (porque isso é até meio normal na minha vida recente). Estou puto por motivos sobre os quais não quero comentar no blog (embora eu devesse escrever sobre eles em algum lugar, para espairecer). Sendo assim não comento.
Vou falar de outra coisa.
Poderia falar de viagens. Porque estou planejando fazer uma viagem em breve para a Argentina ou outro lugar assim. Mas sinceramente, sobre o que escrever sobre o tema? Que até agora não escolhi um bom hotel, mas tenho boas duas opções? Ou que as passagens aéreas estão pelos olhos da cara? Ou que vou acabar pegando uma gripe suína para aprender a não tirar férias? Temas chatos, sem interesse. Também não vou escrever sobre isso.
Sobre o que a Ione escreveu hoje?
(Temo que a Ione será constantemente citada nesta sequência de posts. Afinal de contas, a ideia foi dela)
Ela escreveu sobre uma ideia que eu dei para ela. Sobre o que as mulheres acham óbvio versus o que os homens acham óbvio.
Esse é um tema interessante. Vou comentar sobre ele. De mal humor, porque estou de mal humor. Assim, descontem a eventual acidez.
Mas antes de comentar, um prólogo. Homens e mulheres talvez sejam mesmo diferentes, uns de Marte outros de Vênus. Homens gostam de ver futebol e fazer das suas coisas. Mulheres gostam de fazer suas coisas também, que são diferentes das dos homens. Diferentes línguas é o começo da confusão, a eterna consequência dessa verdadeira babel entre os gêneros. A questão é: Quem deve entender quem?
Porque de fato os homens poderiam ser mais compreensivos com as mulheres e explicar tim-tim por tim-tim quando aquele chopp com os amigos se esticou para uma visita a casa do outro amigo. Mas as mulheres também poderiam entender que visitar o outro amigo não é nada demais e nem merece menção.
Isso vale para um monte de coisas. Os homens poderiam ser simpáticos e ficar horas no telefone falando sobre qualquer coisa. Mas as mulheres poderiam reparar também que a comunicação telefônica é para ser breve, salvo raras exceções. Os homens poderiam manter o estoicismo enquanto as mulheres se arrumam, as mulheres poderiam se arrumar mais rápido.
Conflitos vários, com várias soluções. Quem deve ceder?
Eu não sei, mas posso contar o que eu tento fazer (vocês podem discordar, mas por favor por escrito, dentro dos comentários).
Eu ajo sem pensar muito. Faço as coisas guiado pelo meu bom senso e experiência. Tento não magoar a namorada, tento não fazer nada que me incomode. E levo a vida.
Invariavelmente, faço alguma bobagem. Meus amigos têm uma lista gigante das coisas idiotas que eu já fiz na minha vida. São várias coisas. Independente de eu ter razão ou não, as pessoas reclamam.
E é aí que vale o double-check. Quando reclamam, eu paro e penso se o errado sou eu ou não. Se eu estiver errado, vou pedir desculpas, apologies, mandar flores, etc.
Mas se eu não estiver, não peço desculpas **** nenhuma.
E aí que eu estou ficando velho. Quando eu comecei o blog eu era um jovem de 21 anos, feliz da vida com minhas recentes viagens à Espanha, deslumbrado com as possibilidades do futuro. Eu tinha uma cabeleira desarrumada, usava óculos fundo de garrafa, era magro de dar dó.
De lá para cá, a coisa boa é que parei de usar óculos. O resto é meio ladeira abaixo. Estou mais gordo e com menos cabelo, com mais dores nas costas e com menos condicionamento físico. Uma tragédia.
Em janeiro deste ano decidi entrar numa academia (pela terceira vez, porque a esperança sempre vence a experiência). Malhar e perder barriga é preciso, que a moça da academia disse que eu estou com sobrepeso, que minha elasticidade é patética, que eu estou com o chassis meio torto.
Resultados até agora: engordei 2 kg, depois de ter ido à academia exatas 10 vezes. Minha elasticidade continua patética.
Semana passada me ligaram da academia para ver se eu estava vivo. Disse que estava, barely. Fizeram eu prometer que eu ia para a academia pelo menos 3 vezes por semana, ou senão eu ia para sempre ser lembrado como um ser ridículo e pouco saudável, com camadas grossas de gordura espalhadas pelo corpo.
E foi o que eu fiz hoje. Vim para a academia.
E o que eu estou fazendo na academia? Escrevendo no blog.
Porque a Ione pediu.
E eis que eu estava sexta, trabalhando como um condenado (como sempre), e a minha velha (porque faz anos) amiga Ione pula no GTalk:
“Rafa, vamos fazer um pacto blogueiro?”
Ela me fez prometer escrever todos os dias, durante um mês inteiro (sem contar os fins de semana). Sobre qualquer coisa que me ocorra, qualquer filosofia, pensamento, dúvida. Como nos velhos tempos (já faz anos) em que escrevíamos todos os dias.
É foda.
Porque já faz tempo que não escrevo e acabei perdendo o hábito. E nem sei mais sobre o que raios escrever. Minhas dúvidas da juventude já se resolveram, por eu tê-las resolvido ou por decurso de prazo. Não ando tendo muito tempo para ler coisas interessantes para relatar por aqui. Não ando viajando grandes viagens. Não é que a vida esteja chata, mas ela está cotidiana.
E tem os leitores (ou a falta deles). Ninguém mais lê isto aqui. Se eu for ver quantas pessoas visitaram o blog nos últimos meses vou achar um número inexpressivo. Nem as ex-namoradas devem ler mais o blog (pensando bem isto até é notícia saudável). Nem visitantes ocasionais lêem mais (o que é evidenciado pela falta de comentários).
Sem assunto, sem prática, sem tempo, sem leitores. Por que escrever, Ione?
E ao mesmo tempo, por que não?
I certainly have nice stories to tell… This was the first day I realized I could be er… charming. Everything happened in one evening…
—–Mensagem original—–
De: Angela Sabato
Enviada em: Segunda-feira, 13 de Agosto de 2001 19:04
Para: Rafael Martín
Assunto: Hi!!!
Ciaooooo!
it’s a great great pleasure to receive your postcard!!! Me too , I ’ ve thought you all day! I thought about your travel, about our conversations, about our hours spent together! I’ m really happy to read your words, I know that we ‘re very away and that ,in one week, a great ocean will separate us but I think that we can be near with the mind and with the spirit! It has been a pleasure to listen you and to talk with you, I would spend long hours to talk with you. I enjoyed myself very much yesterday, I spent a wonderful day and I’d like that time stop! But this is impossible! I hope you ’ ll not remember me like a common girl, like a common “small story” of yours (even if nothing is happened!). I know you’ ve had two “short story” but I’d like that I’m “special ” for you! Am I presumptuous? Maybe, when you’ll arrive in Brasil, you’ll forget me, but please, don’t forget that, for me, you’ ve been a really special person. I think you’ ve a rich spirit, you ‘re sweet and even if destiny has separated us, our mind can be united. Am I too romantic? Maybe, but I’m so, I believe in all this. So, I said you that I like you very much and even if I wished to kiss you yesterday, I prefered so. Our “small small story” will rest always in a sort of magic, don’t you? Me too, I miss you, all the day, I miss you but I must accustom myself! So Rafael, please, write me always when you want, I’ll be very very happy to read your words! Don’t forget me, I would suffer about this!
Kisses (all those which I haven’t given you!)
Angela