Tempo branco

July 1st, 2009

A Ione que me desculpe, mas anda difícil pra ****** conseguir escrever com frequência. É engraçado, faz falta ter um pouco de tempo livre, não só livre, mas livre e desimpedido — tempo branco (se é que existe essa expressão).

Tempo branco é um tempo ocioso, sem compromissos. Mas sem compromissos mesmo: sem ter que viajar, sem ter que ir jogar futebol com os amigos. O tempo branco é espontaneo, corre livre.

E apesar de livre, não quer dizer que no tempo branco você se aliena do mundo. Pelo contrário. No tempo branco a mente se conecta com as coisas que realmente importam — é quando eu tenho minhas melhores ideias.

E o tempo branco precisa de tempo para se manifestar. Depois de um dia de trabalho, você chega em casa. Liga a tevê, começa a não fazer nada. Cansa da tevê, vai comprar alguma coisa na livraria. Eis que aí liga o modo tempo branco — e você realmente começa a descansar.

E a escrever no blog.

Twitter Weekly Updates for 2009-06-28

June 28th, 2009

Sobre obviedades

June 24th, 2009

E agora, como parte das minhas atribuições diárias, eu tenho também que escrever no blog. Mesmo quando às 10 da noite estou trabalhando. Meio puto, para falar a verdade. Não por trabalhar às 10 da noite (porque isso é até meio normal na minha vida recente). Estou puto por motivos sobre os quais não quero comentar no blog (embora eu devesse escrever sobre eles em algum lugar, para espairecer). Sendo assim não comento.

Vou falar de outra coisa.

Poderia falar de viagens. Porque estou planejando fazer uma viagem em breve para a Argentina ou outro lugar assim. Mas sinceramente, sobre o que escrever sobre o tema? Que até agora não escolhi um bom hotel, mas tenho boas duas opções? Ou que as passagens aéreas estão pelos olhos da cara? Ou que vou acabar pegando uma gripe suína para aprender a não tirar férias? Temas chatos, sem interesse. Também não vou escrever sobre isso.

Sobre o que a Ione escreveu hoje?

(Temo que a Ione será constantemente citada nesta sequência de posts. Afinal de contas, a ideia foi dela)

Ela escreveu sobre uma ideia que eu dei para ela. Sobre o que as mulheres acham óbvio versus o que os homens acham óbvio.

Esse é um tema interessante. Vou comentar sobre ele. De mal humor, porque estou de mal humor. Assim, descontem a eventual acidez.

Mas antes de comentar, um prólogo. Homens e mulheres talvez sejam mesmo diferentes, uns de Marte outros de Vênus. Homens gostam de ver futebol e fazer das suas coisas. Mulheres gostam de fazer suas coisas também, que são diferentes das dos homens. Diferentes línguas é o começo da confusão, a eterna consequência dessa verdadeira babel entre os gêneros. A questão é: Quem deve entender quem?

Porque de fato os homens poderiam ser mais compreensivos com as mulheres e explicar tim-tim por tim-tim quando aquele chopp com os amigos se esticou para uma visita a casa do outro amigo. Mas as mulheres também poderiam entender que visitar o outro amigo não é nada demais e nem merece menção.

Isso vale para um monte de coisas. Os homens poderiam ser simpáticos e ficar horas no telefone falando sobre qualquer coisa. Mas as mulheres poderiam reparar também que a comunicação telefônica é para ser breve, salvo raras exceções. Os homens poderiam manter o estoicismo enquanto as mulheres se arrumam, as mulheres poderiam se arrumar mais rápido.

Conflitos vários, com várias soluções. Quem deve ceder?

Eu não sei, mas posso contar o que eu tento fazer (vocês podem discordar, mas por favor por escrito, dentro dos comentários).

Eu ajo sem pensar muito. Faço as coisas guiado pelo meu bom senso e experiência. Tento não magoar a namorada, tento não fazer nada que me incomode. E levo a vida.

Invariavelmente, faço alguma bobagem. Meus amigos têm uma lista gigante das coisas idiotas que eu já fiz na minha vida. São várias coisas. Independente de eu ter razão ou não, as pessoas reclamam.

E é aí que vale o double-check. Quando reclamam, eu paro e penso se o errado sou eu ou não. Se eu estiver errado, vou pedir desculpas, apologies, mandar flores, etc.

Mas se eu não estiver, não peço desculpas **** nenhuma.

Recomeço (da academia)

June 23rd, 2009

E aí que eu estou ficando velho. Quando eu comecei o blog eu era um jovem de 21 anos, feliz da vida com minhas recentes viagens à Espanha, deslumbrado com as possibilidades do futuro. Eu tinha uma cabeleira desarrumada, usava óculos fundo de garrafa, era magro de dar dó.

De lá para cá, a coisa boa é que parei de usar óculos. O resto é meio ladeira abaixo. Estou mais gordo e com menos cabelo, com mais dores nas costas e com menos condicionamento físico. Uma tragédia.

Em janeiro deste ano decidi entrar numa academia (pela terceira vez, porque a esperança sempre vence a experiência). Malhar e perder barriga é preciso, que a moça da academia disse que eu estou com sobrepeso, que minha elasticidade é patética, que eu estou com o chassis meio torto.

Resultados até agora: engordei 2 kg, depois de ter ido à academia exatas 10 vezes. Minha elasticidade continua patética.

Semana passada me ligaram da academia para ver se eu estava vivo. Disse que estava, barely. Fizeram eu prometer que eu ia para a academia pelo menos 3 vezes por semana, ou senão eu ia para sempre ser lembrado como um ser ridículo e pouco saudável, com camadas grossas de gordura espalhadas pelo corpo.

E foi o que eu fiz hoje. Vim para a academia.

E o que eu estou fazendo na academia? Escrevendo no blog.

Porque a Ione pediu.

Recomeço (?)

June 22nd, 2009

E eis que eu estava sexta, trabalhando como um condenado (como sempre), e a minha velha (porque faz anos) amiga Ione pula no GTalk:

“Rafa, vamos fazer um pacto blogueiro?”

Ela me fez prometer escrever todos os dias, durante um mês inteiro (sem contar os fins de semana). Sobre qualquer coisa que me ocorra, qualquer filosofia, pensamento, dúvida. Como nos velhos tempos (já faz anos) em que escrevíamos todos os dias.

É foda.

Porque já faz tempo que não escrevo e acabei perdendo o hábito. E nem sei mais sobre o que raios escrever. Minhas dúvidas da juventude já se resolveram, por eu tê-las resolvido ou por decurso de prazo. Não ando tendo muito tempo para ler coisas interessantes para relatar por aqui. Não ando viajando grandes viagens. Não é que a vida esteja chata, mas ela está cotidiana.

E tem os leitores (ou a falta deles). Ninguém mais lê isto aqui. Se eu for ver quantas pessoas visitaram o blog nos últimos meses vou achar um número inexpressivo. Nem as ex-namoradas devem ler mais o blog (pensando bem isto até é notícia saudável). Nem visitantes ocasionais lêem mais (o que é evidenciado pela falta de comentários).

Sem assunto, sem prática, sem tempo, sem leitores. Por que escrever, Ione?

E ao mesmo tempo, por que não?

A collection of stories

January 26th, 2009

I certainly have nice stories to tell… This was the first day I realized I could be er… charming. Everything happened in one evening…

—–Mensagem original—–

De: Angela Sabato

Enviada em: Segunda-feira, 13 de Agosto de 2001 19:04 

Para: Rafael Martín 

Assunto: Hi!!!

Ciaooooo!

it’s a great great pleasure to receive your postcard!!! Me too , I ’ ve thought you all day! I thought about your travel, about our conversations, about our hours spent together! I’ m really happy to read your words, I know that we ‘re very away and that ,in one week, a great ocean will separate us but I think that we can be near with the mind and with the spirit! It has been a pleasure to listen you and to talk with you, I would spend long hours to talk with you. I enjoyed myself very much yesterday, I spent a wonderful day and I’d like that time stop! But this is impossible! I hope you ’ ll not remember me like a common girl, like a common “small story” of yours (even if nothing is happened!). I know you’ ve had two “short story” but I’d like that I’m “special ” for you! Am I presumptuous? Maybe, when you’ll arrive in Brasil, you’ll forget me, but please, don’t forget that, for me, you’ ve been a really special person. I think you’ ve a rich spirit, you ‘re sweet and even if destiny has separated us, our mind can be united. Am I too romantic? Maybe, but I’m so, I believe in all this. So, I said you that I like you very much and even if I wished to kiss you yesterday, I prefered so. Our “small small story” will rest always in a sort of magic, don’t you? Me too, I miss you, all the day, I miss you but I must accustom myself! So Rafael, please, write me always when you want, I’ll be very very happy to read your words! Don’t forget me, I would suffer about this!

Kisses (all those which I haven’t given you!) 

Angela

Lin Yutang

January 23rd, 2009

“He aquí las cosas que me harían feliz. No deseo otras. Quiero un cuarto propio donde poder trabajar. Un cuarto ni particularmente limpio ni ordenado… sino confortable, íntimo y familiar. Con una atmósfera llena de humo y el olor de viejos volúmenes y de incontables olores… Quiero trajes decentes que haya usado por algún tiempo y un par de zapatos viejos. Quiero una ducha en verano y un buen fuego con leños en invierno. Quiero un hogar donde poder ser yo mismo. Quiero algunos buenos amigos que sean tan familiares como la vida misma; amigos con los que no haya necesidad de ser cortés y que me cuenten todas sus dificultades, las matrimoniales y las demás; amigos capaces de citar a Aristóteles y de contar cuentos subidos de color; amigos que sean espiritualmente ricos y que puedan hablar de obscenidades y de filosofía con el mismo candor; amigos que tengan aficiones y opiniones definidas sobre las cosas, que tengan sus creencias y respeten las mías.

“Quiero una buena cocinera que sepa hacer sopas deliciosas y un viejo sirviente que piense que yo soy un gran hombre, pero no sepa en qué reside mi grandeza.

“Quiero una buena biblioteca, buenos cigarros y una mujer que me comprenda y me deje libertad para hacer mi trabajo.

“Quiero libertad para ser yo mismo”.

Lin Yutang

Originally posted in October 16th, 2002.

What about 2008?

January 17th, 2009

So… Last year I had my objectives. They were secret (my blog was supposed to be less personal, more something else that didn’t work well), but now they can come to public — there’s nothing too sensitive, anyway.

My resolutions for 2008 were:

  1. Lose 8kg (get back to 75kg) — Horrible. I’ve gone to 79kg, but then I went up to 86kg again when I was in my Dolce Vita in Barcelona. Now I’m back to 80kg, which is not too bad. But no points to me.

  2. Stop being lazy — Hey! I’m not half as lazy as I was in NYC. Success! Point to me.

  3. Exercise. Any exercise — I’ve started running in October. I still getting used to it, but it’s the farthest I’ve ever gone in relation to exercise. Point to me.

  4. Organize my life — Life is pretty much organized. Point to me.

  5. Keep contact with my friends — Well. It could be better. But it’s not bad either. So I’ll give myself half credit for this one.

  6. Go partying, enjoy life — La Dolce Vita, so good. Point to me.

  7. Keep the blog updated — Well. This one could also be better. But I’ll give me full credit for this one.

  8. Be brave, try new things — Point to me. I’ve developed this sense now. When choosing between two paths I start thinking: which one is the new path. And I try it. It’s good.

  9. Learn more french — No points here. Same level of French as always.

  10. Learn how to cook — Nah… No luck here. No points.

My 2008 grade is 6.5. I’ve had better grades, but in reality 2008 was an awesome year. Hope 2009 is better.

I què es la veritat?

December 24th, 2008

I que es la veritat?

Who the hell buys at Tiffany’s?

December 22nd, 2008

Bonus envy — Bankers need love not money, writes Lucy Kellaway

Normally, if someone was to give me a large sum of money, say £1m or so, I’d be quite pleased. But if I was an investment banker, I probably wouldn’t be. Just like the thousands of them who at this time of year will be receiving more than £1m, I’d be eaten up with insecurity, envy and greed.

The bad interviews come later in the day and last longer. The recipients will be dismayed. A 28-year-old analyst protested to his boss last week that he really couldn’t live on less than $1m and that a swanky flat had been bought in expectation of something much bigger. “That’s not a bonus! It’s a tip!” another distraught banker exclaimed last year on hearing this his “number” was $250,000.

Over magnums of Bollinger, news of others’ numbers come spewing out. And then, human nature being what it is, any initial pleasure quickly goes flat. A $4m bonus may seem insulting if someone else is rumoured to have got $4.5m.

Lucy Kellaway, no Financial Times

I read this article last year, in a sunny day. I remember thinking that I had finally discovered how Tiffany’s could make money — there were lots of people full of money. But looking at the same article now makes me wonder about the ironic turns in life.